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Bacalhau à Imigrante

Encho uma panela
Com lágrimas de saudade.
Recolhi-as da lonjura
Que a vida dura
Marca na mão
Irei aquecê-las com o calor do coração.

Junto os produtos da terra,
Batata, couve, feijão verde.
Tornam mais real
Este sabor a Portugal.

O lume vou ateá-lo
Com os calos da minha mão,
Lume feito com lenha
Que trouxe do meu torrão.
Fica assim mais quente
A fogueira que sinto no coração.

O lume quero-o brando e lento
Para melhor cozinhar
Este alento
Que me dá coragem para ficar.

Provei
E vi que precisava de mais sal.
Então, chorei
Porque a lágrima é salgada
E o chorar não faz mal.

Neste tempo que passa
A saudade esvoaça
Até à minha terra natal...

Está quase na altura.
É só mais uma fervura
Um momento
E junto-lhe o bacalhau.

E o mesmo fogo lento
Turva-me o pensamento,
Fico cego de saudades e recordações...

Quantas ilusões...

Ponho a mesa calmamente
Para mim e para toda a gente.

O vinho é português,
Azeite, zero quatro de acidez.
Vieram em garrafão.
E o pão
Foi amassado com o suor
Do frio da emigração.

Escorro as lágrimas do cozimento.

Naquele instante,
Sem pressa,
Ponho numa travessa
O BACALHAU À EMIGRANTE.

Uma receita, quem diria,
Para escrever
No livro de honra da Confraria.

Confrade Cachim
 
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