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Bacalhau congelado, sim ou não?
Representação da n/ Confraria esteve presente na procissão de Ilhavo em honra do Nosso Senhor Jesus dos Navegantes. Esta procissão
centenária, era em tempos idos da Faina Maior, essencialmente composta por homens do mar que estando em terra cumpriam as
promessas feitas em alto mar com a ofertas dos ex votos ou de carregar o andor do Senhor Jesus, se chegassem com vida a terra e com o
barco cheio do "fiel amigo".

A época estival presta-se sobretudo às preparações rápidas e ao pronto-a-consumir. Vale ou não a pena demolhar o bacalhau em casa, ao longo de dois dias, mudando águas com regularidade? Vale a pena pensar um pouco.

 

Postas-Bacalhau

Nas pescarias bacalhoeiras pelas sempre frias águas do atlântico, lá bem em cima, navegam barcos que pouco ou nada têm a ver com os de há 50 ou 60 anos. Câmaras frigoríficas gigantes congelam o peixe praticamente no instante da apanha, conservando-o a temperaturas muito profundas, a fim de preservar a qualidade e frescura do pescado. Quer isto dizer que, ao contrário do que acontece nas nossas casas, apesar de congelado o peixe tem pouca água; o seu peso no estado congelado é praticamente o mesmo que em fresco. No bacalhau que compramos, no entanto, isto raramente acontece.
A cura tradicional, de salga e seca, acrescenta um pouco de peso ao peixe, devido ao sal, perdendo depois até 50% do peso inicial, ao longo de todo o processo de secagem. Como todos sabemos, pela demolha voltamos a hidratar o bacalhau, ao longo de cerca de dois dias no frigorífico, mudando a água mais ou menos de 6 em 6 horas. Processo longo, cansativo e que raramente fazemos com o rigor que devíamos, para não dizer que o fazemos muitas vezes cá fora, na cozinha, à temperatura ambiente.
Quando vamos ao supermercado, no departamento de congelados vemos hoje vários produtos de bacalhau. Lombos ultracongelados; Lombos congelados sem pele nem espinhas; Desfiado congelado; Postas inteiras congeladas; etc. Há um exercício simples que provavelmente poucos fazem: comparar os preços dos produtos congelados com as contrapartidas de bacalhau seco.
Eu fui fazer isso outro dia e fiquei perplexo, os ditos lombos, num mesmo supermercado custavam 9 Eur/kg em seco, e 13 Eur/kg na versão demolhada e ultracongelada. Levei para casa, demolhei o seco, descongelei e escorri o congelado. Para meu espanto, o seco aumentou 35% o peso, e o descongelado escorrido perdeu cerca de 20%. Quando fui fazer as contas, o aparente conforto ao comprar congelado deu quase no dobro do preço!
E é tudo uma questão de método. Com um tuperware de plástico encostado a um canto do frigorífico consegue demolhar bacalhau na perfeição e o sabor é esplêndido depois de cozinhado. Já o outro, tem normalmente falta de sabor e quase total ausência de sal, que temos de compensar quando preparamos os nossos pratos. Vale mesmo a pena pensar um pouco neste assunto!

 

Fernando Melo (Revista do JN)

 

 

 
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